O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) discutiram endividamento, saúde pública e programas sociais no debate promovido pela TV Globo na noite de sexta-feira (23). O encontro ocorreu na reta final da disputa presidencial, antes do segundo turno marcado para domingo (25).
Os candidatos apresentaram propostas e questionaram a viabilidade das medidas defendidas pelo adversário. As falas sobre custos e efeitos das políticas devem ser entendidas como posições de campanha, e não como decisões já adotadas.
Dívidas e custo de vida
Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo o agravamento das dificuldades financeiras das famílias. Defendeu que a Caixa Econômica Federal compre dívidas bancárias para renegociar os pagamentos dos consumidores. Também falou em adquirir débitos de pessoas jurídicas, segundo a cobertura do debate.
Lula contestou a apresentação da ideia como novidade e mencionou iniciativas de renegociação de seu governo, incluindo o Desenrola. A divergência deixou uma questão prática para o eleitor: de onde viria o dinheiro para comprar as carteiras de dívida e quais seriam as condições de desconto, elegibilidade e pagamento. O formato detalhado proposto por Flávio não ficou estabelecido pelo embate.
Saúde e proteção social
Na discussão sobre o SUS, Flávio prometeu ampliar o Instituto Nacional de Câncer, renegociar dívidas das Santas Casas e atualizar a tabela de pagamentos do sistema público. Lula cobrou explicações sobre possíveis reduções de recursos e associou o tema à necessidade de preservar o atendimento. Os dois reivindicaram a defesa das políticas sociais, embora discordem da condução do gasto público.
O presidente também questionou como o adversário conciliaria uma proposta de corte de despesas com a manutenção dos benefícios. Flávio sustentou que não pretende retirar programas sociais. Sem uma discriminação de despesas e fontes de financiamento durante o confronto, a compatibilidade entre essas promessas segue sujeita à avaliação dos eleitores.
Pedido de desculpas
Depois de usar uma expressão ofensiva sobre a mão de Lula, Flávio pediu desculpas durante o segundo bloco. Lula havia exigido a retratação. O episódio dividiu espaço com as propostas e com acusações políticas recíprocas ao longo da transmissão.
O debate foi o último encontro televisionado entre os candidatos antes da votação. Para comparar as propostas, o eleitor ainda precisa distinguir compromissos anunciados, programas existentes e medidas que dependeriam de orçamento e aprovação institucional após a eleição.
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Fonte:
Agência Brasil; UOL Notícias
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